Perspectivas

Perspectivas

Sou madeirense e sei quais as limitações que tenho por viver numa ilha. Já fiz algumas viagens pelo mundo e vivi em Coimbra, nos meus anos de estudante. Estou habituada a ver o mar todos os dias, a aproveitar o sol da manhã para tomar um café na varanda e a ter tempo, apesar de tudo, para fazer as coisas que gosto. 

Isso alterou-se quando me mudei para Londres, onde vivi dois anos e meio, num T0 minúsculo, que partilhava com o meu marido. Tínhamos que fazer várias actividades neste espaço: preparar e tomar as refeições, dormir, lavar, secar e passar a roupa e organizar/ guardar todos os nossos pertences: roupa, utensílios de cozinha e de limpeza, roupa de cama, toalhas e pouco mais.

Ao voltar para a Madeira, fui a uma consulta de biomagnetismo. Para quem não sabe a que me refiro, o biomagnetismo é uma terapia de saúde (não tradicional), em que o terapeuta deteta e elimina, através do posicionamento de ímanes no corpo do paciente, fungos, bactérias, vírus, etc. O terapeuta muitas vezes alerta o paciente para algumas mudanças a realizar (na alimentação, comportamento, etc.). Consultei este terapeuta porque sabia que ultimamente, a minha alimentação não era a melhor, não realizava qualquer tipo de exercício físico e passava a maior parte do tempo cansada, com dores de cabeça e stressada. O que gostava de referir em relação a esta consulta, foi que o terapeuta informou-me que os meus pulmões estavam “apertados” e não estavam a fazer o seu trabalho corretamente. Ora, na medicina não tradicional, isto significa o seguinte: falta de espaço (não espaço físico, mas espaço para mim).

Expliquei-vos a minha experiência com o biomagnetismo para referir o seguinte: a minha perspectiva de espaço mudou completamente, com a minha estadia em Londres. E com ela, a minha visão dos objetos que possuo.

O meu stress constante devia-se a não ter espaço/ tempo para fazer as coisas que mais gosto: ler um livro no sofá, apanhar um pouco de sol pela manhã, enquanto tomo o pequeno-almoço, “fugir” da multidão quando quisesse e refugiar-me no meu espaço. Para além de não fazer com muita frequência aquilo de que mais gosto, o facto de não ter espaço (físico) para as minhas coisas e tê-las constantemente empilhadas e desarrumadas fez-me repensar nos objetos que possuo.

Alguém disse uma vez: se não tens espaço para arrumar as tuas coisas, é porque tens muitas! Ou algo do género. Não que isto fosse totalmente verdade quando vivia em Londres, visto o espaço ser realmente pequeno. Mas agora, definitivamente que isso corresponde à minha realidade. 


Foi assim que comecei a minha caminhada pelo minimalismo e pelo zero waste (desperdício zero). Uma caminhada com pezinhos de lã, uma coisa de cada vez, porque são tantas as coisas que preciso melhorar, para atingir uma vida mais simples, sustentável, harmoniosa e feliz.



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